O Pará concentra 11 dos 20 municípios com os piores índices de qualidade de vida do Brasil, segundo dados do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026. O levantamento avaliou os 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais e revelou desafios persistentes relacionados ao acesso a serviços básicos, oportunidades e qualidade de vida em diversas regiões do estado.
De acordo com o estudo, os municípios paraenses que aparecem entre os 20 piores resultados do país, considerando cidades com até 100 mil habitantes, são Jacareacanga, Portel, Pacajá, Anapu, Uruará, Trairão, Bannach, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte, Oeiras do Pará e Anajás.
O Índice de Progresso Social é uma ferramenta que busca medir o desenvolvimento social e ambiental da população para além dos indicadores econômicos tradicionais, como o Produto Interno Bruto (PIB). A metodologia considera critérios relacionados às necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades oferecidas aos cidadãos.
O ranking divulgado em 2026 evidencia uma forte concentração dos menores índices na Região Norte do país. Em contrapartida, municípios localizados principalmente nas regiões Sudeste e Sul registraram os melhores desempenhos nacionais, refletindo diferenças históricas em infraestrutura, acesso a serviços públicos e indicadores socioeconômicos.
Além do desempenho municipal, o estudo também analisou os resultados médios dos estados brasileiros. O Pará obteve índice de 55,80 pontos e ocupou a 27ª e última posição entre as unidades da federação.
Especialistas apontam que fatores como extensão territorial, baixa densidade populacional em determinadas áreas, dificuldades logísticas, desigualdades regionais e limitações no acesso a serviços públicos essenciais influenciam diretamente os indicadores sociais da Amazônia.
Muitos dos municípios listados possuem grandes áreas territoriais, extensas zonas rurais e comunidades localizadas em regiões de difícil acesso, o que representa desafios adicionais para a implementação de políticas públicas voltadas à saúde, educação, saneamento básico, mobilidade e inclusão social.
Entre os municípios citados no levantamento, há cidades localizadas em regiões estratégicas da Amazônia paraense, incluindo áreas de influência da Transamazônica, do sudoeste do estado e do arquipélago do Marajó, localidades que historicamente enfrentam obstáculos relacionados à infraestrutura e à oferta de serviços públicos.
O Índice de Progresso Social avalia aspectos que impactam diretamente a vida da população. Entre os indicadores analisados estão acesso à água potável, saneamento, moradia, segurança, educação, saúde, inclusão social, acesso à informação, sustentabilidade ambiental e oportunidades de desenvolvimento humano.
A proposta do índice é oferecer uma visão mais ampla da qualidade de vida nos municípios brasileiros, permitindo que gestores públicos, pesquisadores e a sociedade acompanhem os avanços e desafios em diferentes regiões do país.
Os resultados do IPS Brasil 2026 reforçam a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, educação, saúde, saneamento e políticas de desenvolvimento regional. Especialistas destacam que a melhoria desses indicadores depende de ações integradas entre governos federal, estadual e municipal, além do fortalecimento de políticas públicas voltadas às populações mais vulneráveis.
O estudo também serve como instrumento para orientar a formulação de estratégias que busquem reduzir desigualdades e ampliar a qualidade de vida da população nos municípios com os menores índices de desenvolvimento social do país.